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Olhar as ondas do mar
que vem e que vão
sem nunca parar.
Sentir o toque macio
da brisa que nunca
cessa de soprar.
Gostar de ver as crianças
brincarem no jardim
sem pensar em crescer.
Ter saudade de você
que me faz bem
e que quero para mim.
São coisas que sinto ,
que penso e que pretendo entender.
Rafael Calderaro
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A chuva , o sol e você
Cai a chuva ,
olho o céu cinza
e penso nas coisas
que aquela chuva ajuda ,
limpando , matando a sede .
Sai o sol ,
olho o céu azul
e penso nas coisas
que o sol ajuda ,
aquecendo , secando ,
dando a luz a quem precisa.
Vem você ,
vejo seus olhos violeta ,
e penso no que representa para mim
o seu amor
a me apoiar ,
a me respeitar , a me aquecer
acendendo uma luz
nas trevas do meu coração ,
e me fazendo feliz , grato ,
Lianna .
Rafael Calderaro
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O SILÊNCIO É DE OURO
Só no sapatinho, vou me deslocando, enquanto alguns me chamam de maluco e tendem ao espanto.
Rafael Calderaro
Pois
“Um homem deve ir a busca da sabedoria, da mesma maneira que um soldado vai para a guerra: com medo, com respeito, e com total segurança. Deve agir como se soubesse onde está indo, embora na realidade não tenha a menor idéia do que irá encontrar; o que importa é que ele está percorrendo o caminho que escolheu.”
Por Carlos Castaneda
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“Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril”Fernando Pessoa
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A coisa
Quem ama a coisa não a estuda.
Quem odeia a coisa a observa, a despedaça, e vê se alguma de suas partes é bela sozinha. Se não o é, tenta colar todas de volta em uma nova e mais bela configuração. E a coisa morre.
Quem ama a coisa vive.
R. C. M. M.
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Um belo dia
Uma grande onda vem
E com força bate nas rochas
E a cada pedrinha que rola
A rocha entristece e chora
As conchinhas jazem na areia
E as crianças brincam na beira
E a cada riso que dão
O sol mais forte o céu clareia
O sol no horizonte desce
E logo o dia se vai
Mas a praia permanece
Amanhã será dia de sol
De conchinhas e castelos
E de pipas sem cerol.Rafael Calderaro
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Sátira da franzina e ingênua sacola
Personagens:
*Pínalo, o egocêntrico.
*Pértulis, o perturbador, aquele que cutuca visando à evidência, o esclarecimento.
*Abnério, novato, de personalidade forte e defensor do diálogo, da democracia.
Recinto:
-Fica a cargo do leitor.
De volta ao cotidiano, Pínalo perambula sempre movido por seu incessante instinto de sobrevivência visando novamente tornar cheio sua sacola. Esta, segundo ele, é responsável pela absorção das informações do dia a dia e consequentemente pelo orgulho de seus feitos, suas conquistas.
Famoso por julgar-se dotado de fama, vê seu sentimento de auto confiança se embaraçar no instante em que ouve falar de determinado novato, de personalidade totalmente contrária a sua, que ingressa em seu espaço para conviver consigo durante certo tempo. Egocêntrico por natureza, Pínalo estabelece em si o propósito de manter intactos suas idéias, seus valores e suas atitudes, sem conceder, em definitivo, abertura as intermediações alheias. Dirige-se então, a Abnério.
Abnério acabara de chegar e buscava entrosar-se com os demais presentes tendo o objetivo de estabelecer afinidades para desde já, elaborar em conjunto planos construtivos edificados pelos pilares da democracia. Repentinamente, se escutam ruídos extremos provenientes de passos largos e longínquos que inevitavelmente atraem a atenção de Abnério e dos demais que ali estão. É Pínalo, que entra no local com sua fisionomia malogra e indaga:
-Quem é Abnério?
-Sou eu. Assim me chamo devido a minha origem, Abnéris, cidade habitada por aqueles que prezam o fim da hierarquia e do cerceamento da liberdade de expressão. Embora não o conheça, acabo de ser informado a seu respeito.
Surpreso, Pínalo pergunta a Abnério o que disseram. Este, responde sem hesitar:
-Me contaram que Pínalo diz ser o espelho das peculiaridades que carrega em sua sacola. Posso saber que peculiaridades são essas?
-São qualidades adquiridas ao longo de minha estadia aqui, as levo comigo, pois estão inseridas em minha personalidade.
Pínalo abre a sacola e torna público, amuletos representativos, cada um responsável por determinada peculiaridade. E afirma:
-São elas: União, Tolerância, confiança e comprometimento.
O silêncio se alastra e em seguida é cortado por Pértulis:
-De que modo você justifica a união sendo sua qualidade própria tendo em vista o encaminhamento do recente projeto de arte?
Pínalo não reluta e responde pomposamente:
-Houve diálogo e debate sobre o projeto por aqueles que se submeteram a torná-lo existente.
Pértulis discorda:
-Sim, o projeto foi discutido. Entretanto, as deliberações tomadas pela maioria não foram levadas em consideração. Foi encaminhado apenas o que você achou pertinente e isso é sabido por todos, e por conta disso a conseqüência é que o projeto não saiu do papel até hoje e pelo visto não existirá tão logo.
Pínalo se “ostenta”:
-Não entro no mérito da questão. O importante é que houve o encaminhamento.
Abnério, novato, se surpreende com a falta de interesse de Pínalo e dá seguimento:
-Pois bem, porque se considera tolerante?
-Porque aceito e compreendo as opiniões alheias sem menosprezá-las. -Diz Pínalo-
Pértulis retruca:
-Pínalo, acabara de dizer que não entra no mérito da questão, não o vejo como tolerante.
Em tom de indiferença, Pínalo não responde a Pértulis embora dirija sua palavra a Abnério.
-Em meu juízo, é injusto ser contestado. Exijo o respeito a minha postura.
Abnério revida:
-Me intriga seu posicionamento pouco apto ao diálogo, que transparece intolerância. Assim sendo, pergunto: Como o não apto ao debate se diz confiável?
Pínalo abre um largo sorriso enquanto vislumbra inúmeros olhares incertos e com astúcia responde a Abnério:
-Sou indivíduo que adquire muitos contatos por onde transito. Não fico restrito a uma ou duas pessoas como você, Abnério. Portanto, me destaco e sobressaio em comparação a todos que aqui estão.
Pértulis, inconformado com tamanha arrogância de Pínalo, rebate:
-Novamente, acabara de dizer que se beneficia por conhecer muitos. Pois bem, a pergunta que faço é a seguinte: É Pínalo que conhece a todos ou todos que conhece a Pínalo?Estamos no mesmo barco e navegamos juntos e pelo que sei muitos aqui o conhece, embora não tenham coragem de depositar sequer um “pingo” de confiança em você. Será que seus contatos de fora da embarcação não fazem o mesmo?
Pínalo treme e pela primeira vez fraqueja. Por instantes se silencia e recorre à reflexão a ponto de perceber que não tem tanta credibilidade como imaginara ter até então. Abnério persiste:
-Ao menos quero acreditar que Pínalo arca com seu comprometimento, se compromete fielmente a cumprir com seus compromissos.
-Que tipo de compromisso?-Indaga Pértulis-.
-Não sei ao certo, Pértulis. De algum exemplo. -Sugere Abnério-.
-Vejamos… Pínalo se comprometia em comparecer aos debates e reuniões. No entanto, não aparecia e tão pouco justificava sua ausência.
Abnério complementa:
-Excelente exemplo, Pértulis. Permita-me outro. O velho e simples exemplo do pedinte, que pede emprestado determinado valor em moeda ao próximo e este o ajuda, estabelecendo prazo para que a dívida do pedinte seja sanada. E o que acontece se a dívida não for paga?Certamente, o pedinte perde a credibilidade e a confiança de quem o ajudou e o pior, perde também a sua. Mal ingressei aqui e já ouvi falar de circunstâncias em que houve o afastamento, isolamento e refúgio daqueles que não se comprometem a arcar com seus compromissos.
Pínalo tenta se conter, porém seu esforço é em vão. Desabafa e agride replicando:
-Quem você pensa que é a ponto de me aturdir?Sua atitude é insana comparada a uma criança abortada, infeliz e mal criada!
Abnério ri e conclui:
-Os outros estavam certos ao me informarem a seu respeito. Incrível como não consegue se defender sem agredir o outro. Transita pelos cantos catando amuletos, porém engana a si mesmo, pois na verdade, não se mostra como é e sim o que sonha em ser, o que não consegue ser; unido, tolerante, confiável e comprometido. Sua frustração gera o motivo pelo qual ninguém manifesta o interesse em descobrir o que há em sua sacola, à ausência de definição, de um agente provocador de incertezas constantes. Embora tenha certeza de que você não concorde, faço questão de frisar sem qualquer receio: Essa é minha opinião.
Pínalo, incrédulo, se retira largando a sacola e os amuletos que se espalham pelo chão. Caiu a máscara da ingenuidade. E os que permanecem no recinto “caem” em gargalhadas, pois nunca existiram os amuletos e muito menos a tão franzina e ingênua sacola.Rafael Calderaro
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Uma desilusão é uma coisa
Sempre muito triste
Mas as vezes ela ajuda a perceber
Que a felicidade também existe.
Uma lágrima hoje
Talvez ajude a descobrir
Que assim como ontem
Também o amanhã vai existir.
O amor nos toma inteiro
O nosso vazio coração
E a voz de quem amamos
Então se torna uma canção.
Essa canção às vezes magoa
Mas até que não é ruim
Pois desse modo nos mostra
Que nem tudo está no fim.Rafael Calderaro


